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Cartilha ensina a reconhecer a violência doméstica e onde buscar ajuda

A violência doméstica nem sempre começa com agressão física. Muitas vezes ela aparece antes, como controle, humilhação, ciúme excessivo ou isolamento. Por isso pode levar tempo até a mulher perceber que está numa relação violenta, e a informação é um dos primeiros passos para romper esse ciclo.

Com esse objetivo, as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) de Taubaté e de Pindamonhangaba, da Polícia Civil de São Paulo, produziram a cartilha Precisamos conversar sobre a violência doméstica. O trabalho foi feito em parceria com o Observatório da Violência, projeto de extensão da Universidade de Taubaté (UNITAU) (Aguiar et al., [2023]).

O que a cartilha explica

Os tipos de violência. A Lei Maria da Penha protege a mulher da violência praticada no ambiente doméstico, na família ou numa relação íntima de afeto (Brasil, 2006). A cartilha descreve cada forma prevista:

  • psicológica: humilhações, ameaças, chantagem, vigilância e controle;
  • física: qualquer agressão ao corpo, dos empurrões ao feminicídio;
  • moral: ofensas e exposição da vida íntima, inclusive nas redes sociais;
  • sexual: obrigar a atos não desejados, impedir o uso de contraceptivos, forçar uma gravidez;
  • patrimonial: controlar ou tirar o dinheiro da mulher, fazer dívidas no nome dela, destruir documentos e objetos.

O ciclo da violência. A violência doméstica costuma se repetir em três fases. Primeiro a tensão cresce. Depois explode em agressão. Por fim vem a chamada "lua de mel", quando o agressor se diz arrependido e promete mudar, até o ciclo recomeçar.

Os sinais de um relacionamento abusivo. Estão entre os alertas: controlar aonde a mulher vai e com quem fala, afastá-la de amigos e da família, fazer chantagem emocional, e uma sensação constante de medo e culpa. A cartilha traz também uma lista de perguntas para a leitora verificar se a própria relação apresenta esses sinais.

Onde buscar ajuda. O material explica o papel das DDMs, onde é possível registrar o boletim de ocorrência e pedir medida protetiva. Lembra que o boletim também pode ser feito pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil e lista endereços e telefones da rede de apoio à mulher em Pindamonhangaba.

De onde vem a cartilha

A cartilha faz parte do projeto Mulheres que inspiram outras mulheres, construído a partir de histórias reais de mulheres que conseguiram sair da violência. As delegadas Ângela Cabral Aguiar e Elisangela Cruz Estefano contam essa experiência no capítulo 4 do livro Delegacias de Polícia de Defesa da Mulher: gestão e boas práticas no Estado de São Paulo, que reúne práticas das DDMs de todo o estado (Aguiar; Estefano, 2024).

Baixe a cartilha no site do projeto

Você não está sozinha

Se você vive uma situação de violência, ou conhece alguém que vive, procure ajuda. Em emergência, ligue 190. Para orientação e denúncia, ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, que é gratuita e funciona 24 horas. Compartilhe esta cartilha com quem precisa.

Referências

AGUIAR, Angela Aparecida Cabral de et al. Precisamos conversar sobre a violência doméstica. Ilustrações de Tici Schvarcz. Taubaté: UNITAU, [2023]. Cartilha. Disponível em: https://unitau.br/mulheresqueinspiram/. Acesso em: 26 set. 2026.

AGUIAR, Ângela Cabral; ESTEFANO, Elisangela Cruz. "Mulheres que inspiram outras mulheres": histórias de dor e superação. In: BELIATO, Araceli Martins; GALESI, Soraya Libardi (org.). Delegacias de Polícia de Defesa da Mulher: gestão e boas práticas no Estado de São Paulo. Leme, SP: Mizuno, 2024. cap. 4.

BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher [...]. Brasília, DF: Presidência da República, 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em: 26 set. 2026.

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